Mas amar as coisas não é ser caso perdido, Ana.
23 hours ago
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porto de navios naufragados

Meu coração feito porto de navios naufragados 
Agora eu sou um neanderthal fazendo pinturas rupestres no abandono
Um bicho escrevendo poemas para ninguém.

(Diego Moraes)

4 days ago
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Meus Deus, a vida é solidão, apesar de todos os opiáceos, apesar do falso brilho das “festas” alegres sem propósito algum, apesar dos falsos semblantes sorridentes que todos ostentamos. E quando você finalmente encontra uma pessoa com quem sente poder abrir a alma, pára chocada com as palavras pronunciadas – são tão ásperas, tão feias, tão desprovidas de significado e tão débeis, por terem ficado presas no pequeno quarto escuro dentro da gente durante tanto tempo. Sim, há alegria, realização e companheirismo – mas a solidão da alma, em sua autoconsciência medonha, é horrível e predominante.
Sylvia Plath 
4 days ago
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A tênue linha entre ser um trem de ferro e ter medo.

Quase 18, enfim. E uma completa sensação de pequenez.

Se você quiser mesmo saber, eu esperava um pouco mais.

(Esperava que a vida fosse mais do que esse ciclo eterno de recomeços, que o amor tivesse mais a ver com carinho do que com tolerância, que o vestibular fosse mais sobre ter se encontrado do que ter algo pra se vangloriar sobre.)

Esperava um pouco mais de mim.

(Não queria chegar aos quase 18 morrendo de medo das pessoas e percebendo que 70% das coisas no mundo, nesse meu mundo, são pura ilusão.)

Quase 18 e uma coleção de 4 vidas (porque mudar de cidade vai um pouco mais além do que os olhos podem ver) na mala, algumas certezas (cada vez mais dúbias), uns três livros favoritos e a certeza de que nada é permanente. Sim, o rio nunca é o mesmo. E não, os desertos nunca param de crescer.

Tenho vontade de gritar. De criar algo permanente, nem que seja em um frame. Tenho saudades de sonhar, sem essa pressão inconsciente do ter-que-realizar. ‘O mundo não é mais o meu’ e a minha insônia não cabe mais nas minhas madrugadas.

Quase dezoito e é hora de seguir em frente, de novo. Recomeçar. Pedir ajuda a quem quer que seja Deus e adentrar mais portões, e bater em mais portas, e seguir. E é difícil seguir, submergir exige força e desapego.

É difícil, meu menino, ser trem de ferro.

Mas a gente tem que tentar.

6 days ago
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Prevejo

Mas as palavras hão de volver, menina.
Torrenciais, esdrúxulas, diluvianas, 
Cataratas do Iguaçu refletidas em teus olhos vulgares.

O que é pélago nunca revêm a ser flúmen.
Os dias não hão de ser pra sempre bonança.

6 days ago
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Mas amar as coisas não é ser caso perdido, Ana.
6 days ago
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Dilma e Marina Silva batem boca sobre apoio de banqueiros

E sentir a ausência
das companhias breves.
Os silêncios que permanecem de mãos dadas
às banais sociabilizações.

Encarar o amor com ultrajante ironia
E ver nas guerras, nas fomes e nas discussões dentro dos edifícios,
nada senão reflexo do vazio que é ser
Hoje,
Líquido.

Não ver sentido em Neruda, em Matilde,
Mas ler Bauman com qualquer esperança
E ansiar deparar-se em qualquer esquina,
Em qualquer não-muro, não-medo,
Com Drummond.

Depositar beijos calejantes
Em faces brancas, negras, amarelas.
Carícias putrefatas,
Que transmitem senão morte e ausência:
Também medo.

Uma boca cheia de dentes incólumes
Que acabarão por cair um a um,
Como numa metáfora surrealista mal feita.
Periodontismos sociais:
Exposição das raízes;
Enfraquecimento ósseo.

É setembro.

Abro a janela pra ver a Lua.
E o cheiro de ração pra porcos que
vêm daquela fábrica no meio da cidade apodera-se do quarto,
da vida, 
da alma,
do tédio,
do nojo.

Nas estações mentais, 
o chiado de mar dá lugar a um apelo:
"É hora de dormir, minha filha".

A Lua brilha.
Distante,
Pálida,
Quase morte.

É setembro.
Já é setembro.

1 week ago
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Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.
Murilo Mendes
1 week ago
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"Ainda acho que um casal que nunca concorda sobre cinema… vai se divorciar."

- Jean-Luc Godard

2 weeks ago
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Decidi naquela semana que não veria ou leria os jornais. Queria tirar férias do mundo inteiro, calar um pouco a sinfonia errante dessa Terra-Babel. Mas embora minha recusa fosse sincera, percebi que era inevitável que algumas coisas me chegassem aos ouvidos. E deixei que fragmentos de vozes televisivas e avisos alarmados de meu pai fossem tecendo o que acontecia. E, naquela semana, foi sem maiores explicações que vi aviões se desfazendo no ar, transformando sonhos em chuvas de cinzas; conflitos incendiários matando aos montes em nome de um Deus que já não reconheço; presidentes sendo acusados por banqueiros de ruir a nação, o mundo.
Um amontoado de coisas imensas e confusas. Abarrotadas de sangue, morte, exagero. Carniça, sei bem. Há tempos que decidi achar que jornalistas nada mais são que urubus e naquele ínterim, naquele tempo-jejum, talvez por acaso, serviu-se paquidérmico banquete de tragédias putrefatas.
Já era Segunda-Feira quando decidi que era hora de abrir os jornais. E perdida entre tantas palavras e graciosas fotografias mutiladas, uma manchete em destaque me saltou aos olhos: “Um mundo de inevitáveis colisões”. Encantada pela promessa de delicadezas que exalava daquele título em destaque, decidi que a dieta terminaria por ali, pela tal manchete poética que brotava entre tantas outras, nesses tais tempos do cólera… Um clique rápido pra uma brusca queda. Esperava poesia, encontrei guerra. Centenas de mortes despudoradamente reveladas. De que lados estamos “Quando Golias É Judeu”?
E quando leio essas coisas, enxurradas de pensamentos anarquistas me invadem. Precisamos arrumar qualquer maneira de ser mais livres. Rearranjar as coisas de uma forma que ainda exista, ao menos, esperança.
Debaixo das cobertas, leio aflita sobre as centenas de mortes, a represa de sangue que promete romper as barreiras. Mas egoísta que sou, fecho as janelas e depois os olhos. Três segundos. Um tantinho de paz: fecho os olhos e me lembro de você dizendo - daquele jeito que você diz, fazendo toda palavra parecer beijo: a felicidade é um relâmpago.
Volto à Faixa de Gaza, tento me comover… Mas a luz que entra essas horas da manhã pela janela é tão bonita. Tão bonita. E o insistente fiapo de sol que parece descascar a escuridão do quarto frio me lembra você. No meio de tudo isso, desse caos desgraçado que permeia esse mundo escuro, eu correndo até a estante pra buscar meu livro esquisito do poeta que inventa palavras. “Eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos”. Meu coração sorri e sinto o seu sorrir de volta. E é só então que te deixo ir. Feito um poema que escrevi certa vez pro meu pai que terminava bem assim: “Não sei dar abraços/ Toma minhas palavras”.
*
Um mundo de inevitáveis colisões, dizem os jornais. Eles falam sobre mísseis. Eu, sobre relâmpagos.
3 weeks ago
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My mother died when I was three. I don’t remember much about her. But I do remember, when she was very sick at the hospital, she said to me: ‘Never let a man steal your life.’
Humans Of New York