4 days ago
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My mother died when I was three. I don’t remember much about her. But I do remember, when she was very sick at the hospital, she said to me: ‘Never let a man steal your life.’
Humans Of New York
1 week ago
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como gotas

caindo no

oceano.

1 week ago
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Arabesco cotidiano (ou sobre como transformar conhecimento inútil em conversas-monólogos)

- Você sabe, eu sou babaca. Às vezes fico pensando como seriam essas pontes imaginárias que ligam as pessoas.

- Chegou a alguma conclusão dessa vez?

- Não. Mas acho que a nossa é uma mistura de Calatrava com aquela coisa que eu não sei pronunciar, mas é alguma coisa assim “Qingdao Haiwan Bridge”.

- Eu nunca entendo o que você quer dizer.

- Quis dizer que é bonito. E enorme.

1 week ago
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Avesso eu

Num plano ideal me reservaria o direito de ser moderadamente infeliz quase sempre. Levemente feliz nos dias bons.

Então no fim a vida se resumia a isso: aceitar a infelicidade como parte intrínseca de tudo. E ainda assim seguir. 

Tem uma coisa em mim que grita dia e noite o seu nome. 

Quem me entenderia? Uma dor tão vil, tão escrota, banal; dessas que a gente encontra em qualquer esquina. 

Mais medíocre que o Camaro Amarelo.

Se alguém um dia fosse escrever um poema pra mim, tenho certeza que ia começar assim: filinha de papai até nas crises existenciais. 

Nasci do jeito errado, mas se fosse outro já tinha se endireitado.

"Não tem amor, não tem valor, benzinho. Por aqui, sofrimento é status."

Sou Ismália antes de enlouquecer. Frida Kahlo numa versão sem talento. Sylvia Plath treze minutos antes de morrer. Caio Fernando com uma buceta. Pessoa sem a coragem. 

Não quero encostar minha solidão na de ninguém. Amor é bobagem, é pura bobagem, eu sei… 

Só queria alguma coisa que me levasse pra longe de mim. 

1 week ago
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Desalento

Que se foda o mar.
Não existem
Borboletas azuis
Em Minas Gerais.

1 week ago
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O mundo não é para os que têm dúvidas

- O que você acha que eu faço com quinhentos reais? Milagre?! - desligou sem dar tchau.

Tirou a coroa de flores - daquelas amarelas, que caem de árvores e pintam as calçadas no outono, marginais como tudo. Encarou a parede branca, puxada quase pro salmão. “Inócuas e brancas”, ela havia escrito, há muitos anos atrás, numa redação que a professora mais carrasca do colégio elogiou, “meu lugar é onde quer que existam possibilidades”. O monte de fotos, a raiva ao chutar as caixas espalhadas pelo caminho. Parecia mesmo deja vú. Clichês em francês me lembravam lugares que nem esse aqui.

Nem chorei.

Mas antes de ir fiz questão de jogar bom ar nas caixas. Você sabe, um pouco pra tirar o cheiro de mofo, um pouco pra afastar qualquer possibilidade de que esse cheiro desse as caras por lá, cheiro dessa cidade que nem é mesmo cidade, mas que parece mais um lugar de passagem, um posto da polícia federal no meio do rio, no meio do nada. Enfim.

Não sei o que nada disso quer dizer. De verdade, não. Só sei que preciso ir antes que seja tarde. Só sei que tarde às vezes é muito cedo. E eu já não sei. De quase nada. De muito pouco. E que as incertezas me descem guela abaixo, assim, que nem água gelada.

A coroa de flores se transformou, de repente, no prêmio pulitzer de jornalismo que eu nunca ia ganhar. O menino com olhos arregalados de fome olhava pro moço da pastelaria enquanto eu devorava meu segundo pastel de catupiry e azeitona preta. “Passa um pra ele também”. O que mais eu podia fazer por ele? Contar sua história? Pra quem, sério? Emocionar meia dúzia de burgueses burros que ficariam, então, mais preocupados com o rímel borrado?

Não era pra mim.

Mas aquela…. Aquela era a minha história. 

*

Eu estava apaixonada e ele era um bom rapaz.

Mas eu precisava ir, Suzete. 

Precisava ir, sabe lá pra onde.

1 week ago
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Tabatinga

Acordar cedo e ir ler Mário Quintana pra sua mãe enquanto ela dá água pros tomatinhos recém nascidos.

Analisar os espirais formados pelo rio.

Ver estrelas com o cara que você acha que vai te amar pra sempre depois de comer arepas.

Desistir de um suicídio por causa de borboletas azuis pousadas na grama.

Comer banana do pé na frente do sítio que o pai do seu melhor amigo comprou por dez mil reais.

No Alto Solimões,

quase tudo é ilusão.

1 week ago
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Gosto quando fica quente demais e o chão acha que pode brilhar nas fotografias.

Gosto de sentar na Paulistana e ficar observando a má etiqueta das pessoas ali e achar ao mesmo tempo inútil e engraçado o meu grau de “civilidade”.

Gosto de entrar no Sebo Maravilha e encontrar o livro que eu queria há muito tempo por dez reais.

Gosto de passar rápido pela Tubal Vilela e ficar vendo os velhos jogarem dama em plena segunda-feira, duas horas da tarde. Dá uma noção mais exata do tempo. Dá uma pena de seguir com pressa.

Gosto de estar carregando Hemingway na bolsa e de pensar em Villa-Lobos no meio da Afonso Pena.

Gosto de ficar imaginando, feito garotinha, o que acontece dentro do planetário, mas tenho vergonha de entrar sozinha.

Gosto dos azulejos de fora do banheiro e dos ambulantes que colorem o ponto de ônibus com cobertores (mesmo nesses dias de calor enfurecedor).

E quando ligam as fontes, eu volto a ter sete anos.

O cabeção ainda me assusta, é verdade.

1 week ago
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REPÚBLICA

Na cozinha,
Desconfie de toda comida de microondas que tenha um gosto bom.
Na vida,
Desconfie de todo mundo.


(Mas a verdade é que você inventa qualquer merda pra comer por causa da Coca que você esqueceu fechadinha na geladeira dois dias atrás. E também engole muito sapo e falta de educação em troca de um ambiente minimamente civilizado - migalhas de sentimentos?
A vida é uma merda. Mas se a comida estiver boa, ela melhora.
Só, por favor, não troque nunca jamais o canal da televisão que uma pessoa esteja porventura assistindo sem a expressa autorização dela. Nada machuca mais que isso.)

1 week ago
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(…)Então, viram swingers, num troca-troca incessante de parceiro. Morto fodendo morto. Nenhum senso de humor, nada de brincadeira no jogo deles – cadáver fodendo cadáver. As morais são restritivas, mas são fundadas na experiência humana através dos séculos. Certas morais servem para encarcerar as pessoas nas fábricas, igrejas e submetê-las ao Estado. Outras fazem sentido. É como um pomar repleto de frutos envenenados e bons frutos.
Charles Bukowski.